
A indústria dos jogos eletrônicos foi surpreendida por uma das movimentações mais dramáticas do ano: a Sony Interactive Entertainment tomou a decisão de encerrar o financiamento de Physint, o aguardado jogo de ação e espionagem idealizado por Hideo Kojima. No entanto, em um desdobramento rápido, a divisão de jogos da Microsoft (Xbox) interveio e assinou um acordo de publicação e financiamento para salvar o projeto.
A reunião via Zoom e os bastidores do cancelamento
O rompimento do acordo pela PlayStation ocorreu em junho, de forma inesperada para o próprio criador. Em entrevista, Kojima revelou que havia acabado de retornar de viagens de negócios em Nova York (para um evento da marca Prada) e Los Angeles quando foi solicitado para uma reunião de emergência via Zoom com executivos da Sony. Durante a chamada, a empresa informou que não financiaria mais o desenvolvimento de Physint.
Kojima declarou ter ficado em choque absoluto no momento do anúncio. Ciente de que precisava proteger a estabilidade da Kojima Productions — estúdio independente que conta atualmente com cerca de 200 funcionários —, o diretor manteve a notícia em sigilo absoluto. Nas primeiras semanas, apenas três pessoas na empresa sabiam da decisão do cancelamento:

- Hideo Kojima (Diretor e Fundador);
- Shinji Hirano (Presidente da Kojima Productions);
- Aki Saito (Chefe de Desenvolvimento de Talentos).
A partir daí, a liderança do estúdio trabalhou durante meses em busca de uma nova parceira, culminando na assinatura do contrato com o Xbox.
Estouro de orçamento, prazos e retorno financeiro
Reportagens de veículos especializados, incluindo apurações do jornalista Jason Schreier e matérias da Bloomberg, apontaram que a decisão da Sony foi motivada por preocupações financeiras. O projeto estaria ultrapassando o orçamento previsto e perdendo prazos de entrega. Além disso, análises de mercado sugerem que a franquia Death Stranding teria atingido apenas o ponto de equilíbrio financeiro (barely broke even), aumentando o ceticismo da Sony em relação à rentabilidade e à exclusividade de um projeto de altíssimo custo.

Em resposta pública, a Kojima Productions emitiu uma declaração pedindo que o público tratasse as especulações da internet com ceticismo, embora a desenvolvedora japonesa não tenha desmentido formalmente os detalhes do relatório. Em suas redes sociais, Kojima enfatizou que o estúdio permanece em um estado financeiramente saudável e lucrativo, reforçando que "ama a Sony" e que não guarda mágoas ou ressentimentos da PlayStation, mantendo uma relação institucional forte.
O potencial de vendas e a inspiração em Metal Gear
Apesar da turbulência, Hideo Kojima mantém uma visão extremamente otimista sobre o potencial de Physint. Em declarações cedidas ao The Washington Post e ao Kotaku, o criador afirmou categoricamente: "Este é o título de maior apelo comercial que eu poderia criar", adicionando que não imaginava que o jogo estaria em uma lista de cancelamentos da Sony.

O conceito do jogo surgiu diretamente da forte demanda dos fãs por um novo título da franquia Metal Gear. Como Kojima não pertence mais aos quadros da Konami e não possui os direitos da marca, ele canalizou esse interesse na criação de uma nova propriedade intelectual de ação e espionagem tática. O projeto carrega o slogan "A próxima guerra fria começa".
No momento, Physint encontra-se em fase conceitual inicial. Uma equipe muito reduzida trabalha na definição das mecânicas do sistema, identidade visual e design geral. O elenco já confirmado conta com os seguintes nomes:

- Bill Skarsgard (protagonista);
- Charlee Fraser;
- Don Lee;
- Minami Hamabe.
Incertezas sobre exclusividade e motor gráfico
A transição para a publicação pelo Xbox trouxe novos questionamentos para a comunidade. Questionado sobre a possibilidade de Physint se tornar um exclusivo do ecossistema Microsoft, Kojima afirmou à IGN que não possui essa resposta e que a decisão cabe à própria parceira comercial.
A transição de comando na divisão de jogos da Microsoft adiciona nuances a esse cenário. Enquanto a gestão do ex-CEO do Xbox, Phil Spencer, adotou uma postura mais aberta — resultando em lançamentos como a chegada de Halo aos consoles PlayStation —, a nova CEO, Asha Sharma, tem sinalizado um retorno gradual ao foco em exclusivos, analisando lançamentos plataforma por plataforma. Kojima ressaltou que a postura histórica da marca sempre visou alcançar o maior número de jogadores possível, mas reforçou que os detalhes de distribuição serão anunciados posteriormente.
Da mesma forma, o aspecto técnico do jogo está indefinido. Kojima revelou que ainda não decidiu se o estúdio continuará utilizando o motor gráfico Decima Engine — tecnologia pertencente à Sony que foi utilizada em Death Stranding —, nem se o título terá uma versão lançada para o PlayStation 5.
Vale lembrar que a parceria entre Kojima Productions e Xbox não se limita a Physint. O estúdio também trabalha no desenvolvimento de OD, um título de terror financiado pela Microsoft que conta com atuações de Hunter Schafer, Sophia Lillis e do falecido ator Udo Kier. Ambos os projetos seguem em fases iniciais e não possuem data de lançamento estipulada.